Monday, September 11, 2006

O ruim, o péssimo e o medonho

Faltando menos de um mês para as eleições, começo a pensar no quão difícil e desagradável é a missão de escolher um candidato, dada a atual circunstância.
Sobre o Lulla, não dá nem ânimo pra falar muito. O primeiro mandato foi uma continuação tosca das políticas mais equivocadas da era FHC. A política econômica destes últimos 4 anos tem, na essência, a mesma deficiência do governo anterior: parte do pressuposto que o Brasil real se comporta como o modelo econométrico analisado pelo COPOM. No programa de governo do “hómi” não tem uma vírgula que me faça acreditar que isto vai mudar. Ao contrário, fala em “aprofundamento do novo modelo de desenvolvimento...”. Francamente...
O Alckmin nunca empolgou ninguém. Não por acaso. Até hoje, não disse a que veio. O “programa de governo” é uma piada. Daquelas bem sem-graça. Devem ter mandado aquele estagiário preguiçoso fazer. É só “CTRL-C / CTRL-V” de artigos e discursos antigos. Dá pra encontrar pérolas como esta, sobre a Agricultura Familiar: “Estabelecer estratégias e políticas para aumentar a capacidade de gerar renda e empregos”. Que estratégias, cara-pálida????
Os outros candidatos, prefiro nem opinar. Não consigo levar a sério.

Tarefa difícil. Acho que o jeito vai ser fazer como criança na hora de tomar remédio com gosto ruim. Prende a respiração, faz uma careta e manda bala.

Sunday, May 14, 2006

(In)Segurança pública??

A recente onda de ataques à estrutura de segurança pública do Estado tem um objetivo muito claro: é uma demonstração de força de um grupo organizado, financiado por dinheiro ilegal.
Bem, sendo uma demonstração de força, exige uma resposta à altura. O Estado tem o DEVER de mostrar quem manda. É hora de pressionar o Poder Legislativo para endurecer a legislação criminal. E reagir com firmeza à tentativa dos criminosos de ridicularizar o poder público.

Tuesday, April 25, 2006

Alckmin e o Opus Dei

Mais uma vez, faço uma referência (aliás, quase uma reverência) ao Dito Assim. O Jayme tocou num assunto que, pra mim, é interessantíssimo. Desde que o Alckmin começou sua movimentação em busca da candidatura, começou a se falar de sua ligação com o Opus Dei, uma das instituições mais conservadoras (diria até linha dura!!) da Igreja Católica.
Bom, gostaria de entender, qual é o real problema deste posicionamento dele? Em que isto afeta as políticas de Estado? Alckmin está no governo de SP há 12 anos. Só agora se deram conta do Opus Dei. Que influência eles tiveram no Estado??? Ele cita como decorrência o Secretário da Educação, Gabriel Chalita. Bem, num Estado do tamanho do nosso não se faz política pública de cima pra baixo. Especialmente numa categoria organizada como é a Educação. Perguntem ao Christovam Buarque.

Saturday, April 01, 2006

Democracia x totalitarismo

Participei de uma discussão interessantíssima no Dito Assim a respeito do aniversário do Golpe de 64.
Linhas gerais, dá pra perceber que a imagem que ficou do período da ditadura foi só do aspecto das liberdades civis. De fato, este é o lado mais negativo e fácil de satanizar do regime. Muito pouco se fala sobre as transformações na estrutura econômica e social. Para o bem e/ou para o mal, o país passou por uma mudança radical num espaço de tempo muito curto. A mudança já havia começado no período da ditadura Vargas. O apoio à industrialização (caracterizada pela forte presença do Estado e do capital NACIONAL) , a perseguição aos sindicatos então existentes e a nova organização sindical foram as principais mudanças que o pai dos pobres deixou como legado. Foram criadas as principais indústrias de base. Siderurgia, energia, construção civil.
Um intervalo "democrático", com destaque para JK e os cinquenta anos em cinco. Até que em 64 os militares apearam do governo o eleito Jango.E tome mais uma rodada de investimentos industriais. Desta vez, especialmente do capital estrangeiro. Mas também com grupos nacionais e financiamento interno, através da criação dos primeiros instrumentos de crédito de longo prazo. A correção monetária nasceu para estimular a poupança interna e o direcionamento de recursos para dentro do país, que crescia a taxas de dar gosto!
Como eu disse , pessoalmente, não gostaria de viver num ambiente de ditadura. De fato, os que não vivemos o período não conseguimos ter a noção do que é a censura e a restrição de todas as liberdades. Mas na nossa história, os regimes autoritários foram os de maiores transformações na estrutura econômica e social. Se já tivemos uma classe média, ela é fruto destas transformações. Ela começou a sofrer nos últimos 15 anos, por causa da miopia da nossa elite econômica / cultural (além dela mesma), que não se deram conta do papel que o país deveria ocupar no cenário mundial.

Saturday, March 25, 2006

"O tempo não pára". Será???

Neste exato momento, estou ouvindo essa música do Cazuza.
De repente, um trecho me fez parar pra pensar: "Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro / Transformam o país inteiro num puteiro / Pois assim se ganha mais dinheiro..."

Este disco foi gravado em 1988. Dezoito anos depois, cá estamos nós. O que melhorou?



Adoro o som do Cazuza. Mas ele errou.

O tempo não anda...

Vai mal

Entra ano, sai ano, certas coisas não mudam. Artigo publicado na The Economist, em 16/03:

"Brazil
A nation of non-readers "

Segundo a reportagem, numa pesquisa recente sobre o hábito da leitura, o Brasil ficou com o honroso 27º lugar numa lista de 30 países, despendendo 5,2 horas por semana com os livros. Só pra comparar, nossos hermanos ficam em 18º lugar.

Quando li a matéria, a primeira coisa que me veio à cabeça foram os últimos e-mails que recebi no trabalho. Às vezes, fico horrorizado em ver como as pessoas realmente escrevem mal. É notória a incapacidade de articular idéias de forma clara. Isso vindo de pessoas muito inteligentes! Pessoas com as quais mantenho diálogos interessantíssimos.

Será que tem jeito??

Decadência

Na Folha Online, 25/03:

"Palloci admite falta de condições para ficar"

Triste fim de Palloci Quaresma.

Agora só falta o barbudo tomar vergonha.

A conquista!!
















Depois de cinco longos anos, de muito sangue, suor e lágrimas, finalmente acabou. O baile de formatura, no sábado passado (dia 18) teve um sabor muito, muito especial. Reunir meus amigos, minha família, os amigos dos amigos... Pequenas coisas que ficam guardadas.
Olhar a cara do velho assim é tudo.


Estamos de volta!!

Após um longo período no tronco, conhecendo de perto aquilo que Marx chamava de apropriação da mais-valia, vou tentar voltar a escrever aqui.

Sunday, March 05, 2006

Adoro esta música

Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor Grand' Hotel
Se a gente não fizesse tudo tão depressa
Se não dissesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom dia"
Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só prá se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só prá se viver
Só pra se viver
Ficar só
Só pra se viver

(Kid Abelha)
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Cada vez que eu ouço esta música eu gosto ainda mais. A letra bate forte...

Saturday, March 04, 2006

Sonho de consumo




Vou escrever pro Papai Noel agora mesmo!!!! Eu quero, eu quero, eu quero!!!!

Mecanismos de mercado

No post abaixo, a Dri fez alguns comentários que me forçam a explicar melhor o porquê da minha opinião de que temos um problema de excesso de profissionais qualificados, apesar de a educação formal não ser motivo de orgulho pra nenhum brasileiro.
Como eu disse anteriormente, o Brasil forma todos os anos milhares de bacharéis, mestres e doutores. Isto significa que a mão-de-obra disponível para as empresas brasileiras é, em tese, muito melhor qualificada do que há anos atrás e, oxalá, muito mais produtiva. Ora, se um trabalhador é mais produtivo hoje do que há anos atrás, significa que as empresas precisam de menos trabalhadores para continuar produzindo no mesmo nível anterior. O desemprego estrutural, que acompanhamos há pelo menos 20 anos, é fruto desta lógica. Bem, se um único trabalhador, com nível educacional mais elevado, hoje produz mais do que quatro trabalhadores produziam há 10 anos atrás, as empresas podem pagar a este um salário até 3 vezes maior e ainda assim estarão reduzindo seus custos! Por outro lado, há um incentivo para os trabalhadores buscarem elevar seu nível educacional porque, em primeiro lugar, precisam competir por uma vaga com pessoas de alta "qualificação" que são o foco prioritário para as empresas agora. Além disto, o sujeito pode, de quebra, elevar consideravelmente seus rendimentos. Com rendimentos maiores, a tendência é de que os hábitos de consumo destes trabalhadores também se modifiquem. Afinal, com mais dinheiro no bolso, quem não vai querer comprar aquela tv de sei lá quantas polegadas, dolby-digital-plus-master-tabajara??? Portanto, este processo aumenta o mercado potencial para as empresas que estão instaladas aqui. O comércio cresce, a indústria se fortalece e contrata novos serviços, enfim, viramos primeiro mundo!
Estorinha bonita, né? E por que na vida real o buraco é mais embaixo? Em primeiro lugar, há 30 anos atrás, o Brasil fez uma escolha equivocada, privilegiando o mercado interno ao invés de se voltar para o resto do mundo. Enquanto nos viramos pra dentro, acreditando que era possível desenvolver um mercado forte, fechado para o comércio internacional, outros países resolveram ocupar o espaço de que abrimos mão. Hoje vemos os asiáticos em geral (Coréia, Cingapura, Hong Kong) além dos gigantes China e Índia atendendo a parcelas expressivas do consumo norte-americano e europeu e expandindo a renda a taxas expressivas. Já o Brasil...
E o que isto tem a ver com o mercado de trabalho dos milhares de brasileiros com educação superior que são o tema da discussão? Absolutamente tudo! Ao optar por um modelo que não foi capaz de gerar um crescimento verdadeiro, o Brasil perdeu a oportunidade de se inserir de forma mais marcante no mercado internacional. Não temos um número razoável de grandes empresas brasileiras competindo no mercado mundial. Um parcela bastante expressiva das exportações brasileiras de produtos manufaturados é na forma de transações intra-firmas, ou seja, as grandes multinacionais que operam em escala global e utilizam o país como plataforma de exportação, produzindo aqui porque os custos de mão-de-obra e matéria-prima são menores e vendendo nos grandes mercados mundiais. Significa que o crescimento da economia fica limitado à capacidade do mercado interno de absorver a produção. Se este não cresce, como de fato temos observado há tanto tempo, as empresas não tem nenhum motivo para produzir mais. Se as empresas não produzem mais, vão precisar de cada vez menos trabalhadores, principalmente porque os trabalhadores se esforçarão para serem cada vez mais qualificados e produtivos. Com menos trabalhadores atendendo a mesma produção, o resultado é muito familiar a qualquer um de nós: alto nível de desemprego, baixo crescimento econômico, concentração de renda. Temos então um “exército industrial de reserva” altamente qualificado! Marx ia adorar conhecer o Brasil de hoje...

Uma discussão interessante

No blog Inteligência Estratégica [http://cndpla.blog.uol.com.br] o Jorge Hori vem conduzindo uma discussão interessantíssima. Sua visão é de que, ao contrário do que se pensa, o problema brasileiro não é a falta de educação. Na verdade, há um excesso de pessoas educadas e bem-qualificadas, disputando um mercado de trabalho cada vez mais restrito. Acho a colocação muito pertinente e acertada. Já discuti isto algumas vezes e acho que vale a pena voltar ao tema.
O Brasil forma, a cada ano, milhares de bacharéis, mestres e doutores. Não vou entrar no mérito da qualidade dos cursos, que é tema para outra discussão. O fato é que o país continua olhando pro próprio umbigo e achando que é um grande mercado consumidor. Pode ser em números absolutos. Mas quando se compara o mercado nacional ao resto do mundo, dá pra ter uma dimensão da nossa insignificância. As empresas que produzem aqui, para ser competitivas e manter sua fatia do mercado, vão utilizar cada vez menos mão-de-obra. A disputa por um lugar no mercado de trabalho vai ser cada vez mais acirrada. É um círculo vicioso. Menos mão-de-obra empregada significa menor renda disponível pra consumo e, portanto, um mercado consumidor cada vez mais reduzido, que vai exigir que as empresas sejam ainda mais competitivas.
A participação brasileira no comércio internacional é vergonhosa. As empresas brasileiras precisam descobrir que nós não somos o País das Maravilhas que gostamos de pensar que somos. A orientação da política externa deste governo está equivocada neste ponto. A diplomacia Sul-Sul é interessante do ponto de vista geopolítico. Mas não dá dinheiro. (Quando comparada às oportunidades que a integração com mercados de verdade)

Equívocos

Acho que está na hora de deixar este blog com a minha cara. Tenho evitado postar sobre assuntos polêmicos e acho que isso é um grande erro. Por isso vou falar sobre um assunto que discutimos neste fim-de-semana e que, depois de algum tempo, fez com que a Dri resolvesse discutir comigo de novo.
O tema era a viabilidade de polítcas públicas como instrumento para inserir as camadas mais carentes no mercado de trabalho. Lembrei de uma reportagem que li, há alguns anos atrás, citando uma iniciativa da prefeitura de Porto Alegre em oferecer qualificação profissional a crianças de rua. A idéia era leva-las a um abrigo e oferecer cursos de artesanato e jardinagem (não me recordo se haviam outras profissões, mas já vale para dar a linha geral do meu argumento).
Minha crítica resume-se a um ponto específico. A falta de conexão entre essa iniciativa e a realidade dos tempos atuais. Tirar crianças das ruas é uma iniciativa mais do que louvável. Deve ser estimulado e levado a sério pelo poder público em várias instâncias. Mas, sendo prático, vai tirar essas crianças da rua, ensina-las a fazer artesanato, a cuidar de jardins e depois emprega-las aonde?? Nada contra as profissões de jardineiro e artesão, mas no mundo de hoje, qual o real espaço para estas atividades? Será que é uma boa aplicação para recursos públicos, que além de pertencerem à sociedade, são escassos? Não sou contra a medida em si, mas contra o foco equivocado. Cidades históricas em Minas Gerais têm oficinas de restauração de monumentos. É o tipo de medida acertada, porque está totalmente conectada com a realidade local. É o tipo de profissão que pode ser aplicada.
Grandes centros urbanos, como Porto Alegre (pra não falar de todas as outras grandes cidades), têm a responsabilidade de adotar medidas mais inteligentes. Caso contrário, ao invés de resolver uma questão social, estarão desperdiçando dinheiro e criando expectativas que serão frustradas muito em breve, quando os jovens em questão não conseguirem arranjar lugar no mercado de trabalho.


Resumo de um dia perfeito: Sol, praia, cerveja gelada e a companhia de duas mulheres maravilhosas. O que mais eu posso querer??
Conversar com elas me alegra o dia. Além de lindas, muito inteligentes. Só elas pra botar algum freio nas minhas idéias mais reacionárias. A gente "briga" muito, mas no fim, elas sabem que eu estou sempre certo...

William Hommer

É impressionante o rebuliço que alguns assuntos conseguem causar. Um artigo publicado por um professor da USP, na revista Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=3590) se transformou num intenso debate, especialmente em algumas comunidades do orkut. No artigo, o professor diz que o apresentador do Jornal Nacional, em uma reunião de pauta, informou os visitantes (um grupo de professores da universidade) sobre uma pesquisa onde foi identificado o perfil do telespectador médio do JN. Trata-se de alguém que tem dificuldade pra entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas. Foi apelidado de Homer, em homenagem ao personagem do desenho Os Simpsons. Foi o suficiente pra que os pseudo-intelectuais de plantão caíssem de pau no JN. Ora, por que tanta importância assim pra um assunto tão pequeno??? Tá, o JN seleciona as notícias procurando agradar a um público identificado numa pesquisa. E daí?? A emissora tem um público-alvo, nada mais natural que tentar conhecê-lo e produzir "produtos" sob medida. Trata-se de uma empresa privada! Ah, ela explora a concessão de um serviço público. E daí?? Ninguém obriga o público a assistir. Se não me agrada, mudo de canal. Vou ler um jornal, vou passear na internet, ouço rádio. Se o produto não serve pra mim, não compro. Pra quê esse auê todo??
Em tempo, o apresentador enviou um texto à revista (http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=3639), respondendo ao artigo do professor Laurindo Leal Filho. Antes tivesse ficado quietinho. Dizer que o personagem foi escolhido porque trata-se de "um trabalhador, chefe de família, perfil conservador, sem curso superior, que assiste tv quando chega do trabalho...", francamente Sr. Bonner, essa nem o Homer engole.

O que eu ando ouvindo

Acabo de fazer uma aquisição e tanto: comprei o disco The Very Best of George Benson.

Simplesmente fantástico! Eu devia ter feito isso antes. Talvez um dia eu deixe de ser tão mão-de-vaca e resolva me dar mais alguns presentes. É um ótimo disco. O cara é mesmo o rei do R&B. Recomendo a todos que têm bom gosto musical (e principalmente àqueles que não tem...). Também ando ouvindo muito B.B. King, Genesis (mas com o Phill Collins como vocal) e, claro, Cindy Lauper (Girls just wanna have fun... - e quem não quer?).

Hora de dormir. Cadê o meu cd do Johnny Rivers???

Casa nova!! Uhu!!!

Depois da sugestão do velho (http://www.perplexoinsidesoseiqnadasei.blogspot.com), resolvi trazer meu blog pra cá. Devo admitir que os recursos do blogger são show. Mas tem umas coisas que me irritam profundamente. Pra inserir links, por exemplo. É um pé no saco. Acho melhor eu parar de reclamar. Tenho certeza de que isto vai me render um comentário da Dri...